segunda-feira, 31 de julho de 2017

Você ainda está aí?

Todos, no fim da contas, se vão.
Seja pela distância, seja pelo humor, seja pela morte, todos se vão.
Quem permanece? Quem sobra no contar último das cabeças?
Os interesses materiais parecem ditar os comportamentos.
A cobiça é o leme de muitos capitães que jazem à deriva em um mar chamado vida.

Os ventos gélidos do acaso, que sopram e levam pessoas e sentimentos, parecem não ter tanta força como, de fato, têm. É assustador.
Reflita: os tripulantes de dez anos atrás ainda estão ladeados contigo na viagem ou já abandonaram a embarcação?



É verdade.  Há navios de guerra, já outros são mercantes, mas todos acolhem ratos e homens e se submetem à fúria das águas, do contrário sucumbiriam ante ao poder das ondas.
Por que será, quer na guerra ou no simples mercadejar todos em seus botes se distanciam com o tempo?

Amamos mil amores, nos abandonamos nos romances da vida, nos doamos à alguém.
Fazemos um milhão de amizades, compartilhamos nossa vida e contamos nossos segredos.
Conhecemos mais uma miríades de figuras e personalidades.
Mas no final das contas só tu restarás, mais ninguém.

Por mais que morras com teu melhor amigo ou entrelaçado nos braços de teu amor,
Saiba que a morte se morre só, não há como morrer no outro.
Mesmo na comoriência não é possível tal união, pois não se sabe ao certo quem partiu primeiro.
O homem no paraíso foi criado só, parece que também deve deixar a existência da mesma forma.

Todavia, ainda com tal drama em mente, não se pode deixar de amar.
Logicamente, o ser humano não tem esta capacidade, pois é parte de um todo, o amor.
E amar consiste em abraçar e também deixar ir.
É se aproximar e também deixar partir, se assim o outro quiser.

Amar não é amarrar, não é prender, não é segurar, tampouco agarrar.
Amar é presentear a liberdade que tanto se quer, sem julgo, sem medo.
Pois, no amor não há medo.
Por isso não tenhamos medo de amar.

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