Vem sobre os filhos de Eva a ira e o desespero.
E aos que sob o firmamento estabeleceram a sua habitação,
guardado está o quinhão por sua vileza.
No espelho, percebi os mistérios dessa ira, por isso já não
contesto as pesadas reprimendas que, da Eternidade, se avizinham aos habitantes
da Terra.
Os vivos cobiçarão a morte.
Os mortos desejarão nunca ter
vivido.
Do primeiro que viveu ao último que nasceu, quem não estará
diante dele?
Morte aos que viveram como mortos.
Vida aos que morreram permanecendo vivos.
Se até os imortais naquele dia perecerão,
Pobre daqueles que tiverem por alheia as suas próprias vidas.
A ciência, o poder, a fortuna, o que os livrará do iminente
terror implacável?
No céu, o sinal mórbido do nosso destino.
Na Terra o rincão fúnebre de nossos corpos.
No homem a insolência e o engano,
Mistura fatal que entorpece rebeldes e presunçosos.
Embriagar-se-ão com seu veneno até após a morte.
Felizes são aqueles que nunca vieram a existir.