- Não são contra eles, os ímpios, mas contra vocês é que pesa a sentença descrita em Mateus 7.21; não é contra os ignorantes e desinformados, mas são contra vocês as palavras ditas em Mateus 25.41-46; não aos filhos outros, mas aos filhos do reino é que Cristo diz que serão lançados nas trevas exteriores (Mateus 8.12); não aqueles que estão “fora” da igreja, mas aos que se acham igreja e dizem que estão abastados, prósperos e sem alguma necessidade é que recai a dura afirmação do Cordeiro Santo em Apocalipse 3.16-19; é pela falta da viva fé dos mesmos que Tiago exorta sobre a prática de boas obras para a vitalidade da fé, no capítulo 2 e versículo 17; em consonância com os referidos textos já citados, o Apóstolo João também diz em sua doutrina que a obra, o fazer em relação ao próximo, faz parte da vida prática do Cristão (I João 3.16-17).
- Não há como pensar que outra maneira existe de se chegar ao padrão de cristão condizente com a totalidade das Santas Escrituras, senão através da fé e das obras. Essas obras não significam uma ritualística perfeita ou usos e costumes rígidos, na verdade essas obras têm haver com Deus e com o próximo. Como podemos dizer que amamos o próximo se o deixamos morrer de fome? Como podemos insinuar que praticamos as leis de Cristo se nós vemos os pequeninos apodrecerem nas cadeias e hospitais? Como podemos achar que estamos inserindo alguém no Reino de Deus se não mostramos para essa pessoa o que é esse Reino? Nós sabemos o que é o Reino de Deus? E quem é o nosso próximo? Lembremo-nos do bom samaritano. Qual o propósito de Deus para a igreja? O que a igreja tem feito hoje alterou de alguma forma o modo de viver da sociedade? Quem é a igreja? O que é a Igreja? Prédio, denominações, ministérios ou a Igreja são pessoas? São essas muitas perguntas sem solução e respostas que tem deixado a Igreja com cara de “igreja” e, como um câncer, essas perguntas sem respostas vão se espalhando justificando a acomodação, covardia e a falsa doutrina que encoberta a ganância e a realização pessoal de alguns em detrimento de outros que são ignorantes e que muitas vezes agem de boa-fé.
- Proponho ao leitor que compare o corpo de Cristo material – me refiro aquele que esteve aqui na Terra – ao que se diz “corpo” espiritual que hoje vemos. Será que há alguma coerência entre eles? Quando Jesus estava aqui pregou sobre o dever de amar tanto amigos como os inimigos, pregou sobre o arrependimento e sobretudo anunciou a vinda do Reino de Deus. Amou os pequeninos, alimentou os famintos, curou, ensinou a doutrina da verdade e abalou as 10 cidades em que esteve. Será que o dito corpo de Cristo tem feito a mesma coisa em nossos dias? Eu acho que não. Vejo placas, intrigas, competições e busca de status, mas o Reino está esquecido e o verdadeiro Corpo de Cristo está espalhado para todos os lados, mas mesmo assim está ativo como nunca. Aconselho aos que pensam ser igreja que analise suas obras com os textos e contextos acima referidos e vejam se suas práticas estão alinhadas com a Lei de Cristo, para que você ou confirme sua vocação ou retifique o seu proceder.
- Ser cristão não é ir à igreja (me refiro ao templo, edifício), ser cristão não é falar que é de Jesus, ser cristão não é dar o dízimo todo mês, ser cristão não é falar evangeliquês (misericórdia), ser cristão não é comprar camisa e CD de banda gospel. Ser cristão é ser regenerado por Deus, perseverar na sã doutrina, amar o mundo como Ele amou, e viver de forma que você possa tornar esse mundo um lugar melhor (até porque o verdadeiro cristão é sal e luz) com humildade sempre reconhecendo o amor, a misericórdia e a graça divina.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Protestante que protesta.
sábado, 14 de janeiro de 2012
O Forte
Em seu peito medalhas e glória
Em seu passado sangue e terror
Em sua mente a escória.
Já se vai com sua ganância
Seus desejos os conduzem a morte
Sua força o asfixia sem saber
Anestesiado pelas riquezas.
Já se vai aos portões do inferno
Seus ferrolhos são duros e fortes
Seus muros são altos e inescapáveis
Lá se sentirás em seu lar, lugar eterno.
Já se vai o destemido homem
Que diante do terror esmorece
Emudecendo a arrogância pede clemência
E percebe que o que tem não o salvará.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Realidade Milenar
Parece que nada muda e as pessoas sempre falam da mesma coisa, dentro das igrejas, nas praças, nos restaurantes, nas ruas e até mesmo dentro de suas casas. Parece que ninguém tem mais expectativa de nada e por isso se entregam à rotina e ao sistema opressor. Como cães que se contentam com suas coleiras presas a cordas um pouco mais compridas do que dos outros, nos contentamos com nada mais que uma satisfação momentânea.
As liberdades que achamos ter, não a temos realmente, essas correntes apenas são maiores do que as de outros e com isso achamos que estamos na vantagem. Puro engano. Podemos correr e ir mais longe do que aqueles que tem sua coleira mais curta, mas em determinado momento sentimos que essas amarras não são tão grandes assim e nos vemos tão presos quanto aqueles que andam e correm menos. Mas aí algum espírito de porco pode pensar assim: “eu pelo menos posso correr mais do que aqueles”. E pode também com isso tentar tirar proveito desse privilégio. Porém o fato de correr não vai o fará diferente daquele que não corre tanto assim, no fundo todos são iguais.
Para mascarar essa realidade, alguns, achando que dominando suas jaulas poderão ter uma liberdade a mais. Ainda que ele consiga exercer esse domínio ele nunca vai estar em diferente situação dos demais. Logo ele está dentro da jaula, vencido por uma força maior. Ainda que ele não concorde com o seu encarceramento e tente de todas as formas se ver livre dali, por questões pessoais e egocêntricas prefere permanecer com segurança e comida todos os dias.
Há aqueles também que entrando no tédio, stress e nas frustrações da vida, procuram a forma mais extrema de resolver esse problema. Suicídio. Outros procuram a forma mais, digamos assim, racional: o envolvimento no meio social. Outros a forma mais idiota, que é a de acabar com seus próprios corpos na prostituição, drogas e consumo exarcebado de álcool. Mas para todos os efeitos estamos presos em um mundo, em um sistema; "pensar diferente é utópico, romântico e idealista, por isso é melhor calar aqueles que pretendem nos dizer como viver uma vida realmente livre, do que enveredar por seus possíveis caminhos misteriosos", é o que pensam.
Há aqueles que pelo constante movimento, ou seja, ativismo se vêem mais livres ou libertos de uma consciência aprisionada cheia de culpa e peso, todavia, em nada são diferentes dos demais, a menos que esse ativismo esteja diretamente ligado ao altruísmo, despojando-se de todo orgulho, mágoa e egoísmo.
Mas qual seria o caminho para se libertar dessa prisão que ao mesmo tempo em que é abstrata tem influência diretamente no mundo material? Como poderia me ver livre de correntes invisíveis que eu mesmo as coloquei? Como explicar essa limitação, ou fronteira, que existe entre eu e a liberdade, sendo que ninguém a criou?
Parto do princípio em que no homem há algo de eterno e que essa parte que está alem de nossa compreensão e discernimento não se contenta com a forma em que vivemos – de forma material e resumida ao tempo e ao espaço-, portanto ela necessita estar constantemente em interação com o plano ou esfera original, de onde ela foi criada. Por isso muitas vezes temos vontade de fugir para o lugar nenhum, ou até mesmo para a inexistência. Nesse último caso entendemos como inexistência o que não conhecemos, por isso é que para nós é um lugar que não existe. Talvez você já ouviu a expressão: queria ir para a lua. Isso se deve a tentativa de fuga, de romper com as amarras desse plano material que contém as responsabilidades consigo mesmo e com os outros.
Se admitirmos que todos estão numa mesma posição sem diferenças, privilégios ou hierarquias o mundo passará a ser muito mais agradável. Mas o que isso tem a ver com o assunto? Tudo. Quando indivíduo entra na correnteza do rio Sistema ele se depara com uma força descomunal o empurrando em uma única direção. Essa correnteza o faz passar por cima de outras pessoas que estão na mesma situação, lugar e consequências; para o mais forte a tentativa de respirar é só mais um motivo que o leva a usar o mais fraco como escape, não se importando com as suas necessidades, limitações ou anseios. O que importa é que o mais fraco é necessário para a sobrevivência do mais forte ou para manter uma posição de destaque deste último. Assim sendo a responsabilidade consigo mesmo é abraçada, porém para com os demais é rejeitada.
Todo ser humano gosta de privilégios e regalias, mas nos dias como os nossos não há como se obter tais benefícios sem que haja segregação, acepção de pessoas e exploração. Como se vê, todas essas coisas fazem parte do mundo material e se ligam aos desejos gananciosos dos homens. Como o nosso lado eterno não se amolda às exigências materiais, ele então se coloca numa posição contrária a que vivemos gerando infelicidade, tédio e frustrações.
Entretanto, mesmo os fracos continuam nessa correnteza esperando um mais fraco do que ele para se beneficiar, por isso não se fala em coisas diferentes, por isso as pessoas simplesmente aceitam estar presas nesse rio, e o pior de tudo é que nem passa pela cabeça sair do julgo dessa força, que não é natural, mas que foi criada por nós mesmos. Tudo continua na mesma e é assim que todos querem que permaneça.
Em contraponto com essa visão, aquela parte em nós que advém da eternidade, que alguns chamam de espírito, se coloca em oposição às ganâncias; tanto as que nos foram ensinadas, tanto as que geramos com o passar do tempo, criando uma espécie de barreira ou corrente – e aqui não me refiro à noção moral – que mesmo não impedindo as nossas ações vão criar em nossas consciências uma idéia de limite e de inconformidade em alguns casos.
Logo, não é o “espírito” que cria essa prisão e sim sua resistência a ganância que por mim foi criada, de modo que se não houvesse ganância não haveria prisão ou privação da minha liberdade. É válido citar que a interação com o eterno com o passar do tempo irá nos fazer abrir mão de tais sentimentos gananciosos e mesquinhos devido à experiência com o extra material ajudando-nos a compreender o que não conhecemos, mas que ansiamos interiormente mesmo que de forma inconsciente. O mais importante é que a partir do momento em que conhecemos a nossa origem metafísica e que da mesma forma existimos em outro plano a não ser este, aprendemos a valorizar o que é infinito em detrimento ao finito. Isso na verdade é muito lógico, porque se partimos da parte para o todo é bem provável que não obteremos um bom resultado, mas se partimos do todo para a parte é lógico que possuiremos o que já possuímos antes de se chegar à parte. Ou seja, partir do infinito para o finito me parece muito mais lógico e racional, por isso entendo que a interação com o mundo além, ou mundo espiritual, nos levará a compreender como devemos interagir no nosso mundo finito e material, dessa forma não seremos mais cativos de nós mesmos e dos outros, e sim livres, porque agora entenderemos o que realmente importa e o que é realmente ser livre.
O desprendimento ao mundo material e ao seu sistema é a única forma de ser realmente livre.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
2012 - O que esperar?
“O que foi tornará a ser, o
que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo
de que se possa dizer: "Veja! Isto é novo! "? Não! Já existiu há
muito tempo; bem antes da nossa época.”
(Eclesiastes 1:9-10)
(Eclesiastes 1:9-10)
No último sábado recebi muitas
ligações e mensagens no celular, todas elas com o mesmo conteúdo: Feliz ano
novo.
Pois bem, pense em todos os
rituais que são feitos, em todas as palavras que são ditas, as expectativas,
planos e sonhos que são gerados e compare com os anos que já passaram. O que
teve de diferente? Para os supersticiosos fazer isso ou aquilo dá sorte, mas eu
pergunto: será que num ano desses após o famoso rito de pular 03 ondinhas ou de
comer lentilha será que não lhe ocorreu algo que poderíamos chamar de azar? A resposta
é evidente, sim.
Acredito que nada muda de um ano
para outro, na verdade tudo continua como está, o que realmente muda são os
atos, atitudes, reações, posições, decisões ou o nosso modo de viver. Segundo o
texto de Eclesiastes tudo permanece como está, “...de modo que nada
há de novo debaixo do sol”. Essa idéia de ano, inclusive, é uma limitação
temporal que nós, seres humanos, somos submetidos. O que é um dia? Ah, um dia é
quando o sol aparece, se põe, logo após, vem a lua que depois desaparece dando
lugar ao sol novamente. Então isso é um dia; e um conjunto de 30 dias forma um
mês e um conjunto de 12 meses forma 01 ano.
Paulo responde a essa pergunta de
Salomão com a vinda de Cristo. Ele diz que somos novas criaturas porque as
coisas velhas se passaram e eis que tudo se fez novo por meio de Jesus. Como se
vê o que muda nessa Terra é o homem e não as coisas exteriores. O tempo, o
desenrolar das coisas, os fenômenos naturais, tudo isso continuam da mesma
forma, mas nós não devemos continuar os mesmos e sim viver em novidade de vida.
“Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de
que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai,
também nós vivamos uma vida nova” (Romanos 6:4)
Nesse sentido eu creio que 2012
pode ser diferente, não porque você quer que ele seja diferente, não porque
nesse ano você tem uma grande expectativa sobre ele; ele deve ser diferente
porque você vai ser diferente.
Abraço.
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