sábado, 18 de fevereiro de 2012

Coisas, homens e mentes.

O que move o mundo em nossos dias? O que impulsiona o homem a viver? Perguntas que se fazem e respostas que se buscam sem sucesso. E todos se questionam sobre o mesmo assunto há anos a fio sem muitas respostas contundentes. Afinal, o que o homem deseja encontrar no mundo? Será que este somente procura por satisfação, poder, glória, felicidade e riquezas? Ou quem sabe todas essas coisas ao mesmo tempo? O que esperar de um mundo onde seus habitantes parecem estar numa constante batalha contra todos e contra eles mesmos? Perguntas, perguntas e perguntas.

Partindo de uma visão cristã, diz-se que a origem da frenética corrida em busca de coisas que não se podem alcançar começou com a queda do homem, e este na sua forma pura e perfeita. A temática dos escritos de Eclesiastes apontam neste sentindo, mostrando que o homem corre atrás do vento ao se preocupar com as coisas deste mundo. Com ênfase na vaidade – imagine algo vazio para entender o que significa vaidade – o autor tenta mostrar ao leitor o quanto pode ser frustrante a aventura em prol de tais desejos, já que o que se busca é o vaco, por assim dizer, o nada.

Com o pecado original podemos, então, concluir que este foi o fato que desencadeou toda uma mentalidade acerca de Deus e do mundo, sendo que o homem possui necessidades tanto espirituais e materiais, partindo do ponto que somos constituídos de essências materiais e imateriais. Apontamos, dessa forma, para a necessidade de o homem estar com Deus, ou seja, alguém maior e melhor que o próprio homem. Para alguns o afastamento entre criatura e o Criador gerou uma sede insaciável, e que por Deus parecer muito distante o ser de barro busca por qualquer coisa “maior” que ele mesmo, e talvez aí entre todos aqueles desejos acima referidos.
Se valendo dessas premissas temos por certo que, por se tratar do pecado original, e esse está impregnado em toda a raça humana (ou como a própria Palavra de Deus diz, o pecado se multiplicou por sobre a Terra) de modo que todo aquele que nascesse já é considerado um pecador, essa situação de pecado é comum a todos os viventes e por isso cria-se uma mentalidade partindo de uma influência pecaminosa. Com isso cria-se costumes, e dos costumes a moral e da moral se extrai o padrão que por sua vez é descrito em leis.

Esse padrão está longe de atingir o ideal de Cristo, pois desde cedo a sua concepção está comprometida por ser oriunda do pecado, do mal. Observando a sociedade atual comprovarás o que aqui se diz. Por exemplo, o capitalismo dita o que as pessoas devem comprar, consumir, gostar, usar, odiar e até mesmo, quem sabe, amar. Nos grandes shopping center’s do Brasil certamente não terás dificuldade alguma em encontrar pessoas consumindo desenfreadamente sem ao menos saber por que estão agindo daquela forma. No mesmo sentido podemos contemplar como a sociedade se entrega, de forma livre e sem limites, ao pensamento comum do “cada um por si”, tornando a individualidade, egoísmo, egocentrismo e o edonismo a força motriz desta, e quem sabe das futuras, gerações.

Sem grandes esforços encontramos madames alimentando seus cães muito melhor do que pessoas são alimentadas nas ruas, mas alguém diz: drogados! Bêbados! Mas, eu pergunto: e os famintos da África? E o que dizer dos sedentos no Haiti? O que diremos para famílias e mais famílias que estão abaixo da linha da pobreza no Brasil? Nada. Não podemos dizer nada. Isso porque qualquer tentativa de justificativa se torna ridícula diante da realidade destes que foram citados. Existem pessoas que se dispõe a gastar suas finanças comprando rações caríssimas para seus animais de estimação, mas sem coragem alguma de ajudar um cego a atravessar a rua ou de presentear um mendigo com um prato de comida.

O que seria lógico esperar das pessoas, ou seja, boas ações, na prática, para as mesmas, isso se torna ridículo e digno de ironias seguidas de boas gargalhadas. É o que todos chamam de inversão de valores. Para alguns, isso já é tão corriqueiro que nem comove mais; até porque, a mídia já se encarregou, e isso ela faz muito bem, de anestesiá-las com coisas que as levam para além da realidade, fazendo com que seus pés nem toquem no chão, e quando diferente, mostra uma versão da realidade tão cruel que os fazem desejar não estar no mundo real. O indivíduo está tão acostumado de ver barbaridades pelo televisor de sua casa que ao adentrar no mundo social poucas coisas são que o fragiliza.
No mercado de trabalho não é diferente, vemos disputas e degladiações em empresas, companhias e multinacionais para se alcançar o posto mais alto do seu cargo. E nessa batalha vale tudo, sem levar em consideração quem está por trás do seu opositor, ou seja, não importa se aquele cara que está ocupando o posto que eu almejo tem 5 filhos e uma esposa para criar. Ao ler isso qualquer um pode se rir e pensar “esse cara está louco ao escrever essas palavras”, mas é disso que eu estou falando, inversão de valores. Pensar no outro que não seja o seu próprio umbigo “é até bonitinho, mas não funciona”, podem dizer. O outro na verdade é simplesmente uma escada a qual eu uso para alcançar o que estou objetivando.

Assim é também nos relacionamentos e vida sexual, se a outra pessoa não proporciona o que se busca, esta é descartada de modo simples e rápido. O sexo está tão banalizado que vemos o assunto ser tratado com tanto descaso que até parece ser um ato desprovido de importância e responsabilidade. Sexo se compra, se vende, se vê, se mostra como se coisa fosse, bem como seus atuantes, fazendo disso um ato animal, impulsivo e irracional. Sendo que este se faz estimulado puramente pelos instintos, no caso aqui abordado. Nos relacionamentos a regra também se aplica. Casa-se por conveniência, por interesse, por medo, por pressão, por religiosidade e por qualquer outro motivo que não seja o de constituir família. Pais que abandonam filhos, filhos que matam pais, mães que matam seus bebês sem defesa, irmãos que se esquecem de seus elos sanguíneos por motivos meramente financeiros e outros.

Isso é retrato do mundo o qual fazemos parte.
Isso é a coisificação das almas, rotulamento das pessoas e a humanização dos bichos e objetos de grande valor.

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